17 de Agosto de 2018
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Nicarágua, Venezuela e Brasil

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor da FACCAT e articulista do TupaCity.

*Roberto Kawasaki

Parcelas significativas dos liberais e progressistas, que compõem o que se convencionou denominar de "esquerda”, necessitam fazer críticas contundentes contra tiranos que governam a Venezuela e a Nicarágua.

Ou seja, tanto Nicolas Maduro quanto Daniel Ortega, ditadores respectivamente da Venezuela e Nicarágua, verdadeiros criminosos que oprimem e causam sofrimento aos seus povos, na verdade, têm merecido apoio dessas parcelas da esquerda. Lamentavelmente, o fazem no mesmo diapasão ao Lula.

Por esta razão contundente, perdem o voto da população mais esclarecida e crítica. Para quem viveu o final dos anos 70 do século XX, lembra-se da liderança do jovem Daniel Ortega na Frente Sandinista de Libertação Nacional contra o ditador Anastácio Somoza, contando com o posicionamento favorável dos estudantes, e vê hoje, os estudantes e parcelas majoritárias da população da Nicarágua, querendo derrubar o agora ditador Ortega, após 38 anos de poder corrupto e que trouxe miséria ao povo mais humilde, ratifica que ninguém, absolutamente ninguém, deve ficar no poder mais do que 4 ou 5 anos.

Sob pena de que os ideais e valores outrora progressistas de trazer desenvolvimento e condições de vida melhores a toda a população, se transformem em opressão, em corrupção, em suborno, em tirania e, imperdoavelmente, em assassinato e morte.

Exatamente foi o que o Governo Ortega promoveu com o assassinato da jovem estudante brasileira de Medicina, Raynéia Lima, como tantos outros civis inocentes, que simplesmente foram executados.

O que fará o Governo Brasileiro?

A mesma ação indigna que se posiciona contra o Governo do ditador Nicolas Maduro?
Não é possível que pessoas esclarecidas e inteligentes, possam apoiar políticos do nível de Ortega, Maduro, Lula e tantos outros que, em nome de ideais em tese populares, possam cometer crimes de toda ordem, de desvios de dinheiro público, de enriquecimento pessoal e familiar, e o que é indefensável, de assassinatos de pessoas que são contrárias politicamente e também de inocentes, como a estudante brasileira Raynéia Lima.

Talvez seja por isso que a população se sinta enojada e alheia ao processo político eleitoral. A verdade é que os mecanismos da Democracia Representativa se esgotaram há muito tempo atrás. Seja porque os políticos teoricamente populares sejam iguais ou piores que os ditos tradicionais e de carreira.

O desencanto com o atual processo político-eleitoral é devastador. O caminho é a Democracia Direta e parlamentarista. Brasil, Venezuela e Nicarágua guardam entre si, várias semelhanças.
Dentre elas, uma é significativa: a corrupção e o endividamento público impedem que os governos possam realizar obras públicas e serviços públicos que atendam os interesses de toda a população.

E o que é desalentador: não há propostas de governo e tampouco de projetos que possam mudar esse panorama desesperançoso.

Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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