15 de Novembro de 2019
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39 quilos de cocaína

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor da FACCAT e colunista do Tupacity.

* Roberto Kawasaki

Depois de ter lido e ouvido, a respeito do fragrante de 39 quilos de cocaína transportados pelo Sargento da Aeronáutica no avião da comitiva de apoio presidencial, que estava a caminho do Japão, para participar da reunião do G20, envolvendo as 20 principais economias do mundo, tenho que manifestar minhas considerações sobre o tema que envergonhou o Brasil no cenário mundial.

Como se tornou comum no Brasil maniqueísta, pró e contra o Governo Bolsonaro, mais uma vez a discussão tomou as redes sociais. Os contrários a Bolsonaro criticaram os militares e esculhambaram duramente o governo federal. De outro lado, os bolsonaristas expressaram que foram 29 viagens feitas pelo sargento, que tudo começou no Governo Dilma... Outra vez a Dilma.

Enfim, todos apresentaram suas razões, que não são e não devem ser desprezadas. Há uma tendência, atual e perigosa, a personalizar as análises, contra e a favor ao PT e contra e a favor a Bolsonaro. Vejo que o seríssimo problema deve ser despersonalizado.

Primeiro porque é estarrecedor que profissionais que acompanham as comitivas da Presidência da República, tenham a prerrogativa de não terem suas bagagens checadas pela Aeronáutica, Polícia Federal e Receita Federal.

Segundo, o que é decorrente da análise anterior, tudo pode e é transportado por profissionais que aproveitam dessa prerrogativa inconcebível, praticando crimes e comprometendo o Brasil interna e externamente.

Terceiro, se as bagagens da comitiva presidencial não são devidamente fiscalizadas, o que por si só são inaceitáveis, evidencia que a Lei não vale para todos, somente para os desprivilegiados, a imensa maioria da população brasileira. E isso foi escancarado no cenário político nacional e internacional.

Quarto, que não há uma cultura de fiscalização que seja uma prática corrente. Não há procedimentos que compõem um manual, que devem ser implacavelmente obedecidos por todos e para todos.

Quinto, como é comum no Brasil, os fatos graves são analisados dentro de uma perspectiva ideológica e política, e não educacional, cultural, profissional, filosófica, ética e moral.
Nossos problemas são mais graves do que 39 quilos de cocaína. Lamentavelmente.

Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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