14 de Outubro de 2019
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"Bariátrica não é milagre", alerta médico de Tupã, especialista na cirurgia

Dr. Wagner Moreno Júnior responde perguntas mais comuns sobre a cirurgia bariátrica

O dia 11 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Obesidade. Pesquisa feita recentemente pelo Ministério da Saúde mostra que número de obesos no país aumentou 67,8% entre 2006 e 2018.

Os brasileiros estão mais obesos e com maior excesso de peso - contexto que preocupa e chama a atenção dos profissionais de saúde. Os dados foram divulgados Ministério da Saúde em julho de 2019.

De acordo com o médico de Tupã, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica, Dr. Wagner Moreno Júnior, o crescimento da obesidade é um dos fatores que podem colaborar o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, doenças crônicas não transmissíveis que pioram a condição de vida do brasileiro e podem até levar à morte.

Por conta deste cenário alarmante, muitas pessoas têm recorrido à cirurgia bariátrica. O Dr. Wagner recomenda que a cirurgia bariátrica só deve ser feita por quem tem indicação médica e reforça que é um tratamento cirúrgico para uma doença, a obesidade, e não uma cirurgia estética.

Ele esclareceu algumas dúvidas em relação ao tema:

Qual a finalidade da cirurgia e em quais casos é indicada?

- A primeira coisa que devemos ter em mente é que a cirurgia bariátrica não é um procedimento estético. Seu objetivo é a promover a saúde. A cirurgia é indicada para o paciente que tenha mais de 18 anos, com IMC acima de 35 e alguma comorbidade associada (doença relacionada à obesidade), ou IMC acima de 40 isoladamente, com falha ao tratamento clínico para perda de peso por mais de 2 anos.

Os pacientes entre 16 e 18 anos: sempre que houver indicação e consenso entre a família ou o responsável pelo paciente e a equipe multidisciplinar também pode fazer o procedimento. O cálculo do IMC, avaliação médica, nutricional, psicológica e de uma equipe multi-disciplinar de endocrinologista e cardiologista e a partir disso a gente vê se o paciente é apto a realizar a cirurgia ou não.


Como é o procedimento cirúrgico?

- A cirurgia é feita por vídeolaparoscopia aqui em Tupã. São cinco pequenas incisões no abdome. Existem dois tipos de cirurgia: a gastrectomia vertical, que retira 70 a 80% do estômago do corpo. O procedimento devido à alterações hormonais e restritivas faz com que o paciente coma em pequenas quantidade 100-130 ml, sinta menos fome e tenha uma sensação de saciedade maior.

Já a outra cirurgia é conhecida como Bypass gástrico, também por laparoscopia, onde é feito um desvio no estômago e no intestino. Não é retirado nenhum órgão do corpo. É indicada principalmente para pacientes que tenham síndrome metabólica, ou seja, pacientes hipertensos, diabéticos, doenças cardiovasculares, e outras doenças associadas à obesidade.

Os dois procedimentos são ótimos e cada paciente tem a sua indicação de acordo com os exames pré-operatórios e avaliação individual de cada paciente.


Em quanto tempo posso voltar a me alimentar normalmente?

O processo pós-operatório são 15 dias de dieta líquida, mais 15 dias de dieta pastosa e em um mês o paciente pode se alimentar de sólidos, claro, em pequenas porções.

Por que algumas pessoas voltam a engordar?

- A primeira coisa que deve-se saber é que a cirurgia bariátrica não é um milagre. A cirurgia é o início de um processo de mudança de vida. Então se a pessoa não tiver consciência de que tem que mudar a forma de se alimentar, ela volta a engordar. É preciso ter compromisso consigo mesmo. É necessário ter acompanhamento nutricional, psicológico, a gente tem por hábito aqui na clínica iniciar seis meses de tratamento nutricional e psicológico antes da cirurgia, justamente para preparar o paciente para esta mudança.

A estatística mundial de reganho de peso é de que 20 a 30% das pessoas voltam a engordar, mas isso está muito mais relacionado à perda de segmento do paciente, à falta de acompanhamento, que ao procedimento em si mesmo. O Estômago não volta a crescer. O que altera é o hábito alimentar do paciente.

A cirurgia é apenas o primeiro passo rumo a uma nova vida e é preciso abandonar antigos costumes nocivos e adotar uma forma de vida mais saudável, que inclui dieta equilibrada e a prática de exercícios.


A mulher que passa por uma cirurgia de estômago pode engravidar? Ela deve ter algum cuidado extra nesse período?

- Recomenda-se que a mulher aguarde pelo menos 18 meses depois da cirurgia para engravidar, assim o organismo estará mais adaptado às alterações nutricionais e metabólicas pós bariátrica.

É importante ter um acompanhamento médico e nutricional durante toda a gravidez, para evitar a carência de vitaminas essenciais para a mãe e o bebê. A paciente deve manter o uso do polivitamínico, prescrito pelo médico no pós bariátrica e se necessário são realizados reposições de alguns nutrientes, avaliados de forma individual. O pré-natal deve ser acompanhado pelo nutricionista, cirurgião e obstetra.


Alguns pacientes operados relatam queda de cabelo intensa e unhas quebradiças, entre outros sintomas. Porque eles ocorrem?

- Queda de cabelo e unhas quebradiças são sintomas comuns durante qualquer processo de emagrecimento, seja por cirurgia, dieta ou em decorrência de algumas doenças, como o câncer, por exemplo. No caso do paciente bariátrico, esses sintomas não devem persistir por mais de quatro meses.

Ele deverá realizar exames sempre e a reposição de vitaminas é sempre realizada, associado à uma dieta equilibrada.

Os suplementos vitamínicos entram como aliados para combater os sinais da falta de nutrientes (fraqueza, queda de cabelo, unhas quebradiças, dor de cabeça), provocadas pelos procedimentos bariátricos.


Quanto tempo dura o processo de emagrecimento? Há risco de emagrecer demais?

- Perde-se peso mais rapidamente nos primeiros seis meses, que se mantém até o final do segundo ano após a cirurgia. A velocidade do emagrecimento e porcentagem de perda de peso varia de acordo com vários fatores, como idade, sexo e metabolismo de cada pessoa.

Quais os riscos da cirurgia bariátrica?

- Com o desenvolvimento das novas tecnologias, como a videolaparoscopia e da associação de novas drogas anestésicas os riscos hoje de uma cirurgia bariátrica são menores que uma cesariana, menores que um parto normal e menores que uma histerectomia comparativamente falando.

Entretanto, apesar de baixos, riscos existem em qualquer procedimento cirúrgico e por essa razão, deve ser feita por médicos habilitados e com experiência comprovada.


A Sociedade Brasileira de Cirurgia bariátrica e metabólica dispõe de um site para pesquisa dos médicos membros, além de conteúdo informativo vasto sobre a cirurgia bariátrica e metabólica.


O médico

Membro cirurgião da Sociedade Brasileira de cirurgia Bariátrica e Metabólica, Dr Wagner Moreno Júnior, é especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica atuando nos hospitais Santa Casa e São Francisco de Assis, de Tupã. Dr. Wagner atende em seu consultório na Rua Cherentes, 495.

Dr. Wagner Moreno Júnior responde perguntas mais comuns sobre a cirurgia bariátrica
Dr. Wagner Moreno Júnior responde perguntas mais comuns sobre a cirurgia bariátrica


Redação Tupacity.com
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