04 de Abril de 2020
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Jornalista Tupãense e Professor da Faccat conclui mestrado

Dissertação abordou relação entre literatura e cinema, ao analisar romance-reportagem e filme sobre menores infratores

Professor do curso de Jornalismo das Faculdades Faccat de Tupã e repórter da TV Câmara, o jornalista José Rogério Silva recebeu no último dia 3 de setembro o título de Mestre em Letras, na área de "Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa", ao defender perante uma banca de doutores em Letras, a dissertação intitulada "Pixote, do livro ao filme: Uma leitura do abandono no cotidiano infantil".

A banca formada pelas professoras doutoras Suely Fadul (Unesp/Assis), Nelyse Salzedas (Unesp/Bauru) e Heloisa Helou Doca (Unesp/Assis), foi realizada na sala do júri da Universidade de Marília. José Rogério Silva e formado em Jornalismo (2000), com especialização em Literatura e Ensino (2014) e agora conclui uma nota etapa de sua formação acadêmica, com a obtenção do título de Mestre em Letras (2015). "Estou muito feliz, pois, todo esforço, dedicação e conhecimento adquiridos nestes anos de estudo irei reverter na formação dos alunos da Faccat e no meu trabalho junto a TV Câmara. Além disso, dediquei-me a estudar um tema atual, envolvendo a questão dos menores e a maneira como a sociedade lida com esta questão", disse.

Os estudos tiveram início em 2013 e tratam sobre a transposição da literatura para o cinema, no caso o livro Pixote: Infância dos Mortos, um romance-reportagem do jornalista e escritor José Louzeiro, levado as telas de cinema pelo diretor Hector Babenco como Pixote, a Lei do Mais Fraco. "Procurei neste trabalho discutir as relações entre literatura e cinema, a partir do momento em que a narrativa de uma obra literária é transferida para o cinema e enfrenta um processo de adaptação a esta nova linguagem".

A dissertação analisou os elementos estruturais de composição textual e do filme, como tempo, espaço e focalização, entre outros, na medida em que estes recursos representam procedimentos de adaptação usados pelo cineasta para traduzir vários aspectos inicialmente apresentados pelo romance.

"Abordamos o romance-reportagem, gênero constituído por meio da simbiose entre jornalismo e literatura, examinando-se os procedimentos jornalísticos, mais especificamente a reportagem e a forma de constituição discursiva do romance. Além disso, analisamos como esses procedimentos se cruzam na obra de Louzeiro e no filme de Hector Babenco", enfatizou.

O professor José Rogério estudou ainda o processo de transposição do romance-reportagem para o cinema visto pelo prisma das necessidades de adaptação da obra literária para a plataforma audiovisual, entendida como produto de consumo por força da indústria cultural. "Pixote foi uma personagem de ficção, criado a partir de fatos reais do nosso cotidiano, situações que encontramos diariamente pelas ruas de nosso país. E ganhou mais força quando Fernando, ator que interpretou Pixote no filme foi morto de maneira violenta e misteriosa pela Policia. De certa forma é a ficção tornando-se realidade".

Os estudos do professor José Rogerio buscaram trazer à tona o debate sobre questões sociais presentes em nossa sociedade há tantos anos. "Como jornalista, questionei o porquê de uma situação tão degradante como a violência e o descaso com a formação de nossos jovens continua latente na sociedade, suscitando o debate sobre a situação de abandono e violência de todos os tipos, praticada contra crianças e adolescentes pela própria sociedade e suas instituições, constatando que se não piorou, também não apresentou melhoras significativas", finalizou o professor mestre José Rogerio Silva.



Assessoria FACCAT
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