10 de Dezembro de 2019
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Por falta de exame, pacientes não conseguem transplante de rim em Tupã

Os exames eram realizados pelo AME (Ambulatório Médico de Especialidades), mas deixaram de ser oferecidos aos pacientes há cerca de cinco meses.

Pelo menos seis pacientes atendidos pela Santa Casa de Tupã ainda não entraram na fila de espera para transplante de rim, por não conseguirem realizar o exame uretrocistografia miccional, até então oferecido gratuitamente pelo governo estadual.

"Os pacientes ainda não podem realizar o transplante porque estão esperando por esse exame”, afirmou a psicóloga da Artap (Associação dos Renais Crônicos e Transplantados da Alta Paulista), Mara Bauer.

Segundo a Artap, os exames eram realizados pelo AME (Ambulatório Médico de Especialidades), mas deixaram de ser oferecidos aos pacientes há cerca de cinco meses. O exame avalia o tamanho e a forma da bexiga e da uretra, canal por onde sai a urina.

O exame também pode ser indicado em casos de suspeita de obstrução da uretra ou dilatação dos rins (hidronefrose). A psicóloga enfatizou que, somente com o resultado desse exame, é possível encaminhar os pacientes para a lista de espera do transplante. "O exame é realizado apenas uma vez, para saber o estado de saúde do paciente”, afirmou.

O exame custa cerca de R$ 180,00, a baixo custo. Vale lembrar que a maioria dos pacientes atendidos pela Artap são de baixa renda e não tem condições de pagar as despesas com esses exames. "Neste ano, não conseguimos a realização desse exame pelo Estado”, destacou a psicóloga.

Mara explicou que, apesar das dificuldades, os pacientes atendidos pela Artap permanecem à espera desses exames, para entrar na fila de inscrição e tentar o transplante. "Eles têm que ir para Marília, apresentar esses exames e se inscrever para o transplante. Esse é um dos pré-requisitos para fazer o transplante renal”, ressaltou.

Em Tupã, 118 pacientes realizam sessões de hemodiálise na Santa Casa e 16 executam a diálise peritonial em suas residências. As sessões de he-modiálise ocorrem três vezes por semana no hospital. Os pacientes recebem acompanhamento da Artap, com entrega de cestas básicas e medicamentos, entre outros produtos para auxiliar no tratamento.

Secretaria estadual

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde destacou que o AME não é referência para a realização do exame. "O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Marília está analisando tecnicamente com gestores regionais medidas para ofertá-lo em serviços de referência”, afirmou.

A Secretaria Estadual de Saúde explicou que os pacientes da região, com indicação do exame, são agendados pelos próprios municípios, via Cross (Central de Regulação de Oferta e Serviços de Saúde). "Os casos mais graves e urgentes são priorizados, seguindo as diretrizes do SUS (Sistema Único de Saúde)”, salientou.

Cabe ressaltar que até o momento, os pacientes não foram encaminhados para realização do exame pelo município, ou pelo Estado.


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Diário de Tupã
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