07 de Dezembro de 2019
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Guerra no PSL

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor da FACCAT e colunista do Tupacity.com.

*Roberto Kawasaki

É preciso neste momento crucial da vida nacional, em que várias mudanças e reformas são absolutamente imprescindíveis ao futuro imediato do Brasil, tendo em vista o desejo cristalino manifesto pelas urnas no ano passado. De fato, a eleição de Jair Bolsonaro foi uma demonstração inequívoca de que o povo queria e quer mudanças, que viabilizem a retomada do desenvolvimento econômico, o combate à corrupção, à gestão honesta do dinheiro público e sobretudo, perspectivas positivas no cenário nacional.

Contudo, mais uma vez, estamos perdendo a oportunidade rara de gerar as condições acima citadas, a começar por um quadro político absolutamente raivoso, onde os três poderes não permitem tranquilizar o ambiente democrático, e neste momento, o partido do Presidente da República, o PSL, se envolve numa guerra intestina, absurda e perigosa.

É muito comum o grupo político vencedor de um processo eleitoral, assumir o poder e estabelecer sua plataforma eleitoral e programática. O que não é comum, é perceber o quanto nossos partidos políticos são despreparados em jogar o jogo político. Mais uma vez, o Partido do Presidente da República, o PSL, se mostra completamente despreparado em assumir o poder e dar as condições mínimas ao exercício do comando da vida nacional.

Nestas últimas décadas, tem sido assim, o PMDB de Sarney, o PRN de Collor, o PSDB de Fernando Henrique, o PT de Lula, o PMDB de Temer, e agora, o PSL de Bolsonaro, sem exceções, se mostraram e se mostra completamente desqualificados em exercitar a Democracia partidária e política. Ganharam as eleições e não estiveram e não estão à altura do cotidiano do Poder. Lutam numa desesperada guerra de Poder, de quem manda mais, de não saber ouvir, respeitar o outro, de chegar num consenso, condições necessárias à normalidade política.
Normalidade política que possa permitir um ambiente de tranquilidade para que investidores, sobretudo internacionais, possam canalizar investimentos produtivos e gerar crescimento econômico.

Entretanto, quando o partido do Presidente da República entra numa guerra de Poder, inclusive envolvendo seu filho, para que serve a oposição? Se a própria situação se encarrega de exercitar a oposição? Com isso, obviamente, os demais partidos políticos assistem de camarote os Deputados Federais e Senadores do PSL se envolvendo numa guerra inoportuna, inaceitável, absurda, trágica e preocupante. Não é possível que o Presidente Bolsonaro não assuma o comando político e saiba respeitar as diferenças. Se não houver diálogo e a busca do consenso, acaba o governo dentro em breve.

É evidente que quem perde em última instância, é o Brasil. Que mais uma vez, vê uma oportunidade rara jogada na lata de lixo.

Infelizmente, o nível político da classe se mostra muito abaixo da necessidade do Brasil.

Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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