07 de Abril de 2020
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MEDIDAS DURAS E CORAJOSAS

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor da FACCAT e articulista do Tupacity

* Roberto Kawasaki

O Brasil vai ou não crescer ? Será que o PIB irá crescer mais do que os 1% ao ano ? Todo final de ano e início de ano essa discussão aparece nos meios de comunicação. Fica a torcida para que o Brasil finalmente deslanche. Contudo, muitas são as razões que impedem o êxito desse desejo.

De um lado, tenho insistido que com a taxa de poupança do país na ordem de 16% ao ano, determinando a taxa de investimento / PIB da ordem de também 16 % ao ano, fica muito difícil esperar um crescimento do PIB que seja superior a 1% ao ano. Já escrevi que alçar crescimento maior, exige elevar a poupança interna, permitindo aumentar o investimento agregado nacional, ou atrair poupança externa, com investidores internacionais que estejam dispostos a arriscar seu capital em projetos que externem rentabilidade compatível com as expectativas internacionais. O que convenhamos não é muito simples.

De outro lado, esperar que somente o setor privado nacional e internacional possam alavancar o crescimento do PIB brasileiro é sonhar demais. De fato, a parcela que cabe ao setor público, nacional, estaduais e municipais, é significativo. Diria até que é insubstituível.

No entanto, o setor público há alguns anos tem se mostrado deficitário, com dívida pública interna e externa exponenciais. Mal consegue pagar seus compromissos do cotidiano. Na linguagem da Contabilidade Pública, Despesas Correntes altíssimas que inviabilizam a realização de Despesas de Capital, ou seja, investimentos públicos.

Assim sendo, vejo com preocupação as aberturas que estão sendo administradas no âmbito do Poder Legislativo Federal, permitindo que os governos estaduais e municipais possam realizar operações de crédito que condicionariam a realização de investimentos públicos. Entretanto, consegue realizar investimentos no presente, e que seriam inviabilizados no futuro. Isto é, não se resolve o problema financeiro atual e joga para o futuro.

A bem da verdade, o déficit público se torna cada vez maior e comprime a gestão pública de trabalhar. Enquanto os poderes constituídos não tomarem a decisão corajosa de realizar uma reforma tributária e ampla reforma administrativa para corrigir essa anomalia fiscal, o Brasil não conseguirá realizar o crescimento econômico, tampouco o desenvolvimento econômico.
É muito tentador imaginar que o setor público ao deter o controle da Casa da Moeda, basta emitir moeda e papel moeda para resolver o problema financeiro do setor público. Não é tão simples assim. Ou efetuar políticas expansionistas de gastos públicos maiores.

Vejam o exemplo recente de Dilma. Cometeu vários crimes contábeis, financeiros
e legais. Sofreu, como se esperava, o impeachment. Portanto, caros leitores e leitoras, não há saída fácil e tranquila. Há que se tomar medidas duras, corajosas e responsáveis.


Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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