29 de Março de 2020
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Nº de pacientes graves em UTIs de SP cresce 42% em 1 dia, diz governo do estado

Comitê para enfrentar coronavírus vê eficácia em medidas de restrição de circulação no estado. SP tem 84 pacientes internados em UTIs

O secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, disse na tarde desta quinta-feira que os casos de pacientes graves internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) após serem infectados pela Covid-19 aumentaram 42% em 24 horas no estado de São Paulo.

Segundo o balanço divulgado nesta quinta (26), o estado tem 84 pacientes em UTIs, entre hospitais particulares e públicos. São 862 casos confirmados e 48 mortes em SP.

"Os pacientes graves internados em UTI são agora 84. Neste último dia houve um acréscimo de 42%. Isso é mais ou menos característico da epidemia, ela tem dias de mais acréscimo e dias de menos acréscimo. Mas ela vem crescendo, o que mostra talvez para nós que as medidas de restrição de mobilidade estão sendo suficientes ou, pelo menos colaborando de forma bastante efetiva, para que a gente tenha 862 casos", afirmou Germann.

De acordo com ele, esse crescimento de mortos e pacientes graves é característico de uma epidemia. "Nós éramos praticamente 90% dos casos do Brasil e agora nós somos 30% dos casos do Brasil. O que significa que existe uma expansão da epidemia de forma acelerada. Se nós formos olhar o número de óbitos, nós tivemos no Brasil 57 óbitos, infelizmente, e no estado de São Paulo, 48. No estado de São Paulo ontem eu anunciei 40 óbitos, então, tivemos um acréscimo de 20% no número de óbitos", disse.

Representantes do comitê estadual de combate ao novo coronavírus em São Paulo afirmam que as medidas de restrição de circulação adotadas nas últimas semanas foram eficazes e ajudaram a conter a curva de crescimento de casos confirmados no estado. Segundo Helena Sato, médica que coordena o comitê, "muito provavelmente haveria um número muito maior [de casos> se as nossas famílias não estivessem em casa."

Divulgação - Secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann
Secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann


O estado de São Paulo adota estratégias de restrição de circulação contra o coronavírus desde 16 de março. Em pronunciamento na terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro criticou medidas de isolamento adotadas por estados e municípios. Na quarta-feira (25), Bolsonaro discutiu com o governador de São Paulo, João Doria.

Nesta quinta, o secretário de Saúde de São Paulo explicou que as medidas adotadas no estado não são equivalentes à quarentena.

"O que estamos fazendo não é um isolamento, o que nós estamos fazendo é um distanciamento social. O próximo passo, se houver necessidade, seria o isolamento domiciliar ou social. Ou, se houver necessidade de apertar mais ainda o cinto, aí seria o lockdown, com a característica de uso da força policial para manter as pessoas em casa. Não estamos nesta situação ainda", disse José Henrique Germann.

"Se nós mantivermos os idosos em casa, tal qual um lockdown, nós teremos um comportamento da crise que talvez nos favoreça para não colapsar o sistema de saúde. Por isso eu gostaria de enfatizar o fique em casa", completou.

Segundo Helena Sato, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), o aumento o número de casos em São Paulo seria maior sem as medidas de restrição de circulação.

"O que a gente tem observado? Que os casos estão aumentando, agora, muito provavelmente a gente teria um número muito maior se as nossas famílias não estivessem em casa. Uma determinação que a gente já vem tomando há algumas semanas”.

G1
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