17 de Janeiro de 2021
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Saiba como começar o ano novo com o nome limpo e as contas em dia

Negociar o pagamento da dívida e mapear tudo o que se deve para poder colocar todas as contas em dia são as principais recomendações.

Superar os efeitos da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus está entre os principais desafios globais em 2021. Para milhões de brasileiros, a situação financeira tem um complicador a mais: o nome inscrito na lista de devedores. Para começar o ano novo com o nome limpo, é preciso planejamento e estratégia.

Os dados mais recentes da Serasa indicam que, até novembro, cerca de 64 milhões de brasileiros estavam com o nome sujo. Já um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que, também até novembro, 25,7% das famílias brasileiras estavam inadimplentes.

Com o nome sujo, o consumidor dificilmente tem acesso a crédito no mercado. Bancos e instituições financeiras negam a concessão de empréstimos, lojas se recusam a ofertar compra parcelada em crediário, e nem mesmo cartões de crédito são emitidos para aquele que é considerado mau pagador.

Ter crédito restrito pode ser um agravante diante do atual contexto econômico do Brasil, que registra desemprego em nível recorde e vê a inflação voltar a assombrar o consumo.

Quem tem o nome sujo só tem duas opões para regularizar a situação: pagar o que deve, ou esperar o prazo de prescrição da dívida, a partir do qual ela não pode ser mais cobrada – o que pode levar até 10 anos. Para voltar a ter acesso a crédito imediato, somente a primeira opção é válida.

Para quitar a dívida, é preciso procurar diretamente a empresa que fez a inclusão, ou seja, a credora da dívida, e tentar renegociar o pagamento. Muitas empresas oferecem facilidades para os inadimplentes regularizarem a situação, como o parcelamento do débito ou até a retirada de juros.

De acordo com a Serasa, a partir do pagamento da dívida a empresa credora tem prazo de até cinco dias úteis para fazer a exclusão do CPF do devedor do cadastro de restrição ao crédito. Em caso de parcelamento da dívida diante de uma renegociação, a exclusão do cadastro tem de ser feita, no mesmo prazo, logo após o pagamento da primeira parcela.

"É sempre bom ressaltar que se o consumidor não honrar os próximos pagamentos, das próximas parcelas, o nome dele poderá voltar a ser negativado”, ressaltou a coordenadora de educação financeira da Serasa, Joyce Carla.

Colocando as contas em dia

Segundo a professora da Escola de Negócios da PUC-Rio, Graziela Fortunato, que é doutora em administração de empresas e especialista em finanças pessoais, o primeiro passo é listar todas as dívidas.

"Mesmo quem esteja com nome limpo, mas sabe que tem dívidas e quer começar o ano sem elas, primeiramente deve anotar o quanto deve”, enfatizou.
Depois de listar tudo o que se deve, o próximo passo para colocar as contas em dia é mapear as dívidas, listando a origem delas (a quem se deve) e suas características, como a taxa de juros que incide sobre elas.

Esse mapeamento, enfatizou a especialista em finanças pessoais Graziela Fortunato, vai permitir ao devedor avaliar quais devem ter o pagamento priorizado ou, até mesmo, avaliar alternativas para quitá-las. Além disso, o devedor também deverá se informar junto ao credor sobre as possibilidades de renegociação da dívida.

"Entendendo o quanto deve e onde estão essas dívidas, é possível ver quais são as que têm juros mais altos. Cheque especial e cartão de crédito têm juros muito altos, isso significa que fica mais difícil diminuir a dívida ao longo do tempo caso você deixe rolar”, apontou.

Em caso de dívidas com juros muito altos, a orientação da especialista em finanças pessoais é priorizar o pagamento delas, porque fica mais difícil diminuir a dívida ao longo do tempo em que elas rolarem.

"Juros são custos que não possuem benefícios, pois é um aluguel do dinheiro”, enfatizou Graziela.
Para quitar as dívidas com juros muito altos, é recomendado pesquisar se há alguma oportunidade de fazer um empréstimo com juros menores.

"Vale a pena pegar um empréstimo mais barato, se possível um empréstimo consignado, cujos juros são menores, para pagar essas dívidas caras, como cheque especial e cartão de crédito, e depois se organizar para pagar essa nova dívida adquirida”, sugeriu.
G1
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