23 de Janeiro de 2021
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A CHINA E O BRASIL

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor da FACCAT e articulista do Tupacity

* Roberto Kawasaki



Leitores e leitoras, peço vênia, após ver, ler, ouvir e assistir representantes e familiares do Governo Bolsonaro manifestarem absurdos e idiotices contra a China, fui buscar e trazer dados a respeito da importância dela para o Brasil. Aproveitei para também buscar as mesmas informações dos EUA, em termos de balança comercial brasileira, no período de Janeiro a Novembro deste fatídico ano. Tudo em termos de dólares, valores FOB, portanto, sem seguros e fretes. As informações insofismáveis estão no quadro que está acima, tendo como fonte a CACEX.

Pois bem. Em artigo anterior, manifestei claramente a necessidade de respeitar a China, sob o ponto de vista geopolítico e estratégico. Ao se analisar o quadro, pode-se confirmar o que já manifestara. Vejam que a China é a maior parceira comercial e econômica do Brasil, depois, bem depois vem os EUA.

Em Exportações deste ano, a China representa quase 1/3 do que o Brasil vende lá fora, enquanto os EUA quase 10%. Nas Importações, a China vende para o Brasil, quase 22% do total, enquanto os EUA vendem quase 16% do total das compras realizadas pelo Brasil. O que é extraordinário é que o Brasil tem saldo superavitário com a China, de mais de 32
bilhões de dólares, o que representa mais de 63% do superávit brasileiro, enquanto com os EUA, temos um déficit de mais de 3 bilhões de dólares.

Ou seja, a China mais compra do que vende para o Brasil e os EUA mais vende do que compra do Brasil, e o Governo Bolsonaro fica bajulando os EUA, leia-se Trump, e entrando em choque com a China. É muita idiotice, como expressei acima. Um absurdo, porque a médio e longo prazos, será trágico.

Será trágico para o Brasil, porque a China já manifestou seu descontentamento, com o episódio da Huawei e o projeto 5G brasileiro, que o Governo brasileiro insiste em impedir a participação da empresa chinesa. Isto significa que a China, tal qual todo povo oriental, se posiciona com certa polidez nas relações bilaterais. Contudo, não se iludam: a China já está buscando novas parcerias com países africanos na produção de soja, milho, arroz, etc.

A médio prazo, o Brasil e o agronegócio brasileiro sofrerão nefastas consequências na balança comercial, com as posições ideológicas cretinas por parte de familiares do Presidente Bolsonaro e de seu governo desastroso. Obviamente que as importações chinesas de produtos brasileiros irão diminuir.

As importações brasileiras vão também cair ? O superávit da balança comercial vai virar pó.
Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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