03 de Outubro de 2022
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E 2023 ?

"É certo que este ano de 2022 definirá o Brasil dos próximos 4 anos, ou muito mais, a depender das medidas que o próximo governo tomará", escreve Kawasaki no artigo desta semana

Gostaria muito de escrever assuntos econômicos mais esperançosos nesta coluna. Contudo, a Economia Brasileira depende da política econômica-monetária, fiscal, financeira, cambial-que por sua vez, decorre da Política, ou Economia Política e dos agentes políticos. Portanto, desvincular temas econômicos dos temas políticos é contraproducente.

Tal qual separar a renda das pessoas das suas respectivas perspectivas de vida. É certo que este ano de 2022 definirá o Brasil dos próximos 4 anos, ou muito mais, a depender das medidas que o próximo governo tomará.

Assim sendo, o presente definirá o futuro a curto e médio prazos. A bem da verdade, a História Brasileira repete momentos já vividos anteriormente. Já escrevi aqui, que esta eleição lembra e muito a eleição de 1989, a primeira após a redemocratização.

Brasil ignorou candidatos como Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves, Mário Covas, Leonel Brizola, uma gama de candidatos de vários perfis ideológicos, mas muito experientes e republicanos. Entretanto, a sociedade brasileira escolheu Collor e Lula, candidatos fracos e inexperientes face às exigências de grandes mudanças que o Brasil deveria fazer e não fez. Hoje, pagamos as consequências das escolhas que fizemos.

Em 2022, mais uma vez, a polarização se faz presente, com Bolsonaro e Lula, ambos muito distantes das necessidades históricas e estratégicas que o Brasil requer para se reinserir no contexto internacional.

Aliás, contexto internacional que é revelador: enquanto Bolsonaro se alinha com Putin e Trump, Lula se alinha a Maduro, Putin e Xi Jinping. Convenhamos que não são democratas, são ditadores. Tanto Bolsonaro quanto Lula raciocinam em termos ideológicos e não econômicos e políticos.

Tanto Bolsonaro quanto Lula trabalharam para aprovar a PEC Eleitoral, ou seja, não querem se indispor com o eleitorado. Tanto um quanto outro, sabem das tragédias que estão promovendo, ainda que em tese, procuram socorrer determinados segmentos da sociedade.

Mas, 2023 virá e exigirá medidas impopulares. Todos devem se lembrar de 2014, do populismo promovido por Dilma e depois as tragédias que ela promoveu. Sem dúvida alguma, as contas financeiras virão.

Alguém acha que R$ 1.000,00 para caminhoneiros resolve alguma necessidade? Ou o Auxílio aos taxistas resolve alguma coisa ? Mesmo o Auxílio Brasil de R$ 600,00, ainda que urgente e necessário, resolve o problema de mais de 30 milhões de brasileiros que vivem passando fome?

O Congresso Nacional deveria discutir e aprovar medidas que pudessem destravar os gargalos do PIB, gerando empregos, produção, elevando a renda dos brasileiros de forma consistente e duradoura.

No entanto, aprovam medidas populistas, ilegais, irresponsáveis e fadadas ao fracasso. Acham que resolvem problemas das eleições de 2022. E 2023 ?
Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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