22 de Setembro de 2020
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RECESSÃO E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor da FACCAT e colunista do Tupacity.

* Roberto Kawasaki

Em Macroeconomia, ao se estudar a variação mensal ou anual do P.I.B, que é o indicador mundial para se mensurar o nível de Produção de um país, isto é, o padrão de riqueza gerado nesses intervalos de tempo, determina-se em
recessão quando em dois trimestres seguidos, há queda em termos % do P.I.B. Pois bem. É o que acaba de ocorrer com o Brasil com os dados divulgados nesta semana pelo IBGE. O que se temia ao longo desta terrível pandemia, acabou por se concretizar. O Brasil está em recessão.

Sem dúvida alguma que os fatos e os números assim demonstram, pois no primeiro trimestre de 2020, de Janeiro a Março, no início da pandemia do Coronavírus, o P.I.B. caiu 2,5% e no segundo trimestre de Abril a Junho, em plena pandemia, a queda foi drástica da ordem de 9,7%. Como já estamos no terceiro trimestre, de Julho a Setembro, no último mês do referido período, é de se esperar uma melhoria nos dados, ainda que tímida. Ou seja, 2020 é um ano que ao menos serve para ser analisado e útil para se preparar para o ano de 2021.

O Brasil urge realizar profundas reformas econômicas para que retire as travas que impedem a recuperação das atividades produtivas. Principalmente porque o Brasil, nestes tempos de Bolsonaro, mira os EUA como exemplo a
ser seguido, o que não é conveniente para a geração de produtos e serviços que permitirão a criação de empregos de mão-de-obra, arrecadação de tributos, elevação da renda e, por consequência, o crescimento do P.I.B. e a posterior possibilidade de efetivar o desenvolvimento social e econômico.

Embora o Presidente Bolsonaro tenha Trump e os EUA como exemplos a serem seguidos, o Brasil deve na verdade se mirar na China, pois é este país que gera empregos, cria mercadorias, arrecada tributos e eleva a renda como ninguém
no mundo. O modelo das medidas tomadas por Trump servem aos EUA, contudo, não servem ao Brasil. Nossa condição é mais parecida à China, não aos EUA. Embora a China seja um país comunista singular e uma ditadura plena, sua Economia busca a eficiência dos custos de produção, investimentos pesados em Educação, Ciências e Tecnologias, padrão de competitividade tipicamente capitalistas, e por isso, é o espelho a ser seguido pelo Brasil.

Se o Brasil realizar reformas tributárias, administrativas, financeiras, políticas, eleitorais, sanitárias, infraestrutura portuária, logística, armazenagem, podemos sonhar com dias melhores. Mas isso requer um Poder Executivo comprometido, realista, sério, que saiba dialogar com os poderes Legislativo e Judiciário e trabalhe com planejamento estratégico. Temos isso tudo ?
Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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