25 de Setembro de 2022
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Setembro Amarelo: mês de prevenção ao suicídio

"Infelizmente ainda existem falas descuidadas e levianas a respeito da depressão, como dizer que ela é apenas uma frescura", escreve o colunista

O dia mundial da Prevenção ao Suicídio é lembrado em 10 de setembro, mas a campanha Setembro Amarelo ocorre durante todo mês, dedicada à prevenção e conscientização contra o suicídio.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo, sendo a quarta maior causa de óbitos entre jovens de 15 a 29 anos de idade.

No Brasil são, em média, 14 mil suicídios por ano — cerca de 38 pessoas tiram a própria vida, por dia, no país. Entre as principais doenças relacionadas está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Destaca-se a importância da informação para reduzir estigmas e preconceitos relacionados ao tema. Muitos dizem que a depressão se tornou o "mal do século", mas poucas são as pessoas que entendem, de fato, como lidar com os sintomas e condições desse sério estado de sofrimento psíquico que pode, inclusive, acarretar ao suicídio.

A campanha é importante para reduzir preconceitos e conscientizar a população sobre os cuidados com a saúde mental - além de proporcionar a redução do estigma por meio da informação responsável.

É válido ponderar que o indivíduo que possibilita a tentativa de suicídio, na maioria das vezes, entende que essa é a única forma de cessar de uma vez por todas a sua dor emocional e não consegue identificar outras saídas para o seu sofrimento. Por isso, torna-se importantíssimo a atenção aos sinais de alerta que os pacientes costumam dar nesses momentos.

Alguns desses sinais podem estar relacionados à desesperança em relação ao futuro, culpa e baixa autoestima, visão negativa da vida (verbalizadas, escritas ou até em forma de desenhos), alterações significativas na personalidade ou nos hábitos diários, perda de interesse por atividades rotineiras, afastamento da família e amigos, disforia (combinação de tristeza, irritabilidade e acessos de raiva), comentários sobre morte ou interesse pelo assunto.

É importante salientar que os sinais são subjetivos, e variam de acordo com a personalidade e estado de sofrimento do sujeito, portanto, qualquer sinal merece atenção.

MITOS E INVERDADES

Infelizmente ainda existem falas descuidadas e levianas a respeito da depressão, como dizer que ela é apenas uma frescura.

A verdade é que a depressão é uma doença grave, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e que precisa de tratamento. Em relação ao ato suicida, dizer que "quem fala, não faz", também não é verdade.

Muitas vezes, a pessoa que diz que vai se matar não quer chamar a atenção, mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. Por isso, um aviso de suicídio deve ser levado a sério.

É importante, caso a pessoa esteja com sintomas de depressão, um acolhimento sem julgamentos. Não tocar no assunto só piora a situação e já passou da hora da sociedade quebrar o tabu que existe para falar sobre questões de saúde mental.

ATRAVESSAMENTO PELA PANDEMIA DE COVID-19

É nítido que todos os indivíduos, sem exceção, foram atravessados pelo aumento nos graus de ansiedade gerados pelo processo pandêmico de Covid-19, que trouxe consigo um mar de ansiedades e angústias.

É comum ouvirmos no consultório que as pessoas não se sentem mais as mesmas de como eram antes da pandemia chegar.

Estes discursos, na verdade, só demonstram que todas as pessoas possuem e sempre possuíram conteúdos emocionais latentes que precisam de atenção e durante a pandemia, onde todos precisaram se isolar para se proteger, fomos forçados a entrar em contato com nossas próprias angústias e esse processo de voltar-se para si mesmo, sem o devido acompanhamento profissional, acarreta um maior adoecimento em saúde mental.

ORIENTAÇÕES

A busca por um profissional psicólogo é de extrema importância para a realização do melhor manejo com o sujeito em sofrimento.

Possíveis encaminhamentos poderão ser realizados de acordo com as especificidades do quadro clínico do paciente, até mesmo para o serviço psiquiátrico, onde o psiquiatra vai auxiliar com o tratamento medicamentoso para que haja uma redutibilidade dos sintomas e o psicólogo vai auxiliar no processo de acolhimento, ressignificação e compreensão do sofrimento.

O que a psicanálise compreende pela "cura pela fala" é um método proposto pela Psicologia que tem sua origem na escuta do sujeito que sofre. Por isso é imprescindível que esta escuta analítica se desdobre numa escuta de si. Por meio da fala, é dada ao paciente a oportunidade de se conectar com ideias recalcadas que inclusive produzem os sintomas atuais e isso acontece num processo de psicoterapia.

Matheus Soares Munhoz
*MATHEUS SOARES MUNHOZ É PSICÓLOGO CLÍNICO, ESPECIALISTA NA ABORDAGEM PSICANALÍTICA. CRP/SP: 06/170795, FORMADO PELA FACULDADE DA ALTA PAULISTA - FAP E SERVIDOR PÚBLICO.
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