17 de Maio de 2022
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VOTO IMPRESSO?

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista do Tupacity.

Voto impresso? Sim, o Presidente Bolsonaro uma vez mais, dedica o precioso tempo de Chefe de Estado e de Governo para tratar de questões periféricas. Poderia propor ao Congresso Nacional uma ampla reforma eleitoral, fruto de sua larga experiência no Poder Legislativo Federal. Entretanto, de nada valeu as décadas vividas na Câmara dos Deputados, ainda mais por ter pertencido ao chamado baixo clero. Aliás, sua vida em Brasília foi absolutamente medíocre como parlamentar: sua produção como legislador foi ínfima.

Várias são as necessidades de reformular a política eleitoral. Começa por discutir o voto distrital e voto proporcional. Passa pela urgente discussão do financiamento das campanhas eleitorais. Também é imprescindível discutir a representatividade dos partidos políticos, haja vista que a excessiva permissividade trazida pela Constituição de 1988, trouxe a possibilidade de se estruturar um partido de acordo com desejos pessoais. Há que se estabelecer uma relação direta entre partidos políticos e ideologia. Hoje, há inaceitável número de partidos políticos, a maioria sem nenhuma representatividade ideológica e social, atendem exclusivamente a interesses financeiros de seus fundadores.

Outrossim, a reforma eleitoral trazida pela Emenda Constitucional promovida e bancada pelo ex-presidente Fernando Henrique foi desastrosa: a possibilidade de haver uma reeleição de chefes dos Executivos Federal, Estaduais e Municipais. Desde então, salvo raríssimas e honrosas exceções, Presidentes, Governadores e Prefeitos reeleitos foram verdadeiras calamidades, pois ao serem eleitos já trabalham com os olhos voltados à reeleição, dali a quatro anos. O instituto da reeleição deveria ser revogada, simplesmente.

Portanto, há uma imensa e inadiável premência de se promover uma ampla reforma eleitoral. Discutir o sistema eleitoral quanto ao voto eletrônico e impresso é somente abrir um canal de manutenção de bolsonaristas comprometidos com as causas de Bolsonaro. Lembra e muito o comportamento de Donald Trump.

Aliás, Bolsonaro erra ao expressar que o voto eletrônico é permitir que fraudes sejam facilitadas e realizadas por criminosos. Ao contrário, o voto impresso é que abre oportunidades para se fraudar os resultados das eleições. Quem viveu épocas passadas deve se lembrar dos votos "carbono", "corrente", as "compras de votos por cabos eleitorais nas filas das seções eleitorais", etc. Devem também se lembrar das imensas filas matutinas nas seções eleitorais em dias de eleição, das demoras nas apurações de votos, das possibilidades de erros humanos, dependendo do clima das campanhas eleitorais, nos momentos de se separar votos brancos, nulos, votos declarados a candidatos "A", "B". A agonia interminável que era para se esperar a Justiça Eleitoral declarar os resultados das eleições. Os resultados das eleições traziam, face as fraudes realizadas, contestações nos TREs e TSE...

Com o voto eletrônico tudo mudou. A segurança eleitoral é muito maior. Em tempos de excepcional Tecnologia da Informação, falar em voto impresso é voltar ao tempo das carroças.

Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista do Tupacity.
Colunista
Roberto Kawasaki
*Roberto Kawasaki é economista pela FEAUSP, Professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da FACCAT e articulista da Folha do Povo e do TupaCity.com
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