O piloto Pablo Portella Ilwoski, de 28 anos, único sobrevivente da queda de um avião bimotor em Marília, recebeu alta do Hospital das Clínicas por volta das 9h15 desta quinta-feira (11). Ele havia sido socorrido na quarta-feira (10), após a aeronave cair em um campo da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), ao lado da pista do aeroporto da cidade.
Pablo, que é morador de Curitiba (PR), estava no avião junto com outros dois pilotos, Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, e Henrique Guariente Filho, de 47 anos, que morreram no acidente. Segundo as informações apuradas, Gabriel comandava a aeronave no momento da queda.
Na noite de quarta-feira, a esposa de Pablo, Natiele Ilucenski Ilwoski, publicou uma mensagem nas redes sociais informando que o marido estava consciente e em recuperação.
“Gente, tem bastante mensagem e às vezes eu esqueço de responder. Pablo está bem, conversando e respirando sem dificuldade. Logo estará em casa”, escreveu.
Após a queda, a aeronave pegou fogo. Pablo foi retirado do avião com a ajuda de funcionários da AABB, que chegaram ao local logo depois de ouvirem uma explosão.
O auxiliar-geral Ademir Durelo contou que almoçava quando ouviu o barulho e correu até o campo. Ao chegar, encontrou o sobrevivente ainda preso pelo cinto de segurança.
“Eu estava almoçando quando a gente escutou uma explosão. Quando cheguei ao local, o fogo já estava pegando. Avistei um rapaz, esse que a gente conseguiu tirar de dentro do avião. Daí conseguimos cortar o cinto e puxar ele lá de dentro. Arrastamos ele para fora, e havia mais dois na parte da frente”, relatou.
Outro funcionário do clube, Mauro Alves Ferreira, também auxiliar-geral, afirmou que uma das vítimas ainda pedia ajuda, mas estava presa às ferragens enquanto o fogo se espalhava pela aeronave.
“Um deles ainda pedia ajuda, mas parecia estar preso, enquanto o fogo avançava. Tentamos pensar em alguma forma de ajudar, mas não foi possível”, disse.
O acidente
Segundo a Defesa Civil de Marília e a Rede Voa, concessionária que administra o aeroporto da cidade, o avião decolou por volta das 11h13 de quarta-feira e retornava ao mesmo aeródromo quando caiu.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para combater o incêndio e realizar o resgate das vítimas. Os corpos de Gabriel Maloni e Henrique Guariente foram encontrados carbonizados.
A aeronave bimotor, de prefixo PT-MDB, é um modelo Beech Aircraft 58, fabricado em 1985. Segundo registros oficiais, o avião estava com a situação de aeronavegabilidade regular.
O avião pertence ao Grupo Ponzan Alimentos, empresa especializada na fabricação de temperos, molhos, farináceos e conservas. Gabriel Maloni, natural de Jales (SP), era piloto da equipe da empresa.
Henrique Guariente Filho era natural de Rolândia (PR), segundo familiares, e havia se mudado para Marília há cerca de cinco anos, onde trabalhava como piloto em voos particulares.
De acordo com o Aeroclube de Marília, o velório de Henrique acontece nesta quinta-feira (11), no Velório da Saudade. O sepultamento está previsto para sexta-feira (12), às 10h, no Cemitério Parque das Orquídeas, em Marília.
Em nota, o Grupo Ponzan Alimentos lamentou as mortes e informou que está prestando apoio às famílias dos três ocupantes da aeronave.
As causas da queda ainda são desconhecidas e serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
*Estagiária Kamily Canola sob supervisão da jornalista Bruna de Pieri