O cancelamento da Exapit 2026 colocou em debate a responsabilidade na gestão dos recursos públicos e os gastos com grandes festas promovidas pelo poder público.
Enquanto Tupã, Iacri e Pompeia suspenderam eventos tradicionais, Bastos manteve a 64ª Festa do Ovo, que será realizada de quinta-feira (16) a domingo (19), com entrada gratuita e contratos de aproximadamente R$ 2,6 milhões.
Em Tupã, a Prefeitura informou que uma emenda parlamentar destinada à Exapit não pôde ser formalizada antes do período eleitoral. Sem o repasse dentro do prazo, a administração decidiu não utilizar recursos próprios para realizar a festa.
Em Iacri, o rodeio foi cancelado com a justificativa de priorizar investimentos na saúde, embora uma programação festiva mais enxuta tenha sido mantida. Em Pompeia, a Festa do Peão foi suspensa como parte de medidas de reorganização das contas públicas. Eventos tradicionais também foram cancelados em Alpinópolis e Cássia, em Minas Gerais, e em Batatais, no interior paulista.
Na contramão dos cancelamentos, Bastos manteve a Festa do Ovo. Os contratos das atrações musicais somam R$ 2,16 milhões: Ana Castela, R$ 750 mil; Roupa Nova, R$ 515 mil; Michel Teló, R$ 400 mil; Aline Barros, R$ 285 mil; Tony Allysson, R$ 130 mil; e Lendas 67, R$ 80 mil. Outros R$ 436.244 foram destinados à locação de parte da estrutura.
Dados do painel de transparência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontam R$ 62,78 milhões em receitas e R$ 82,88 milhões em despesas empenhadas em Bastos, diferença superior a R$ 20 milhões. As despesas empenhadas representam compromissos assumidos e não significam, necessariamente, valores já pagos.
A Festa do Ovo tem peso para a avicultura, o turismo e o comércio de Bastos. Ainda assim, sua realização, em contraste com os cancelamentos na região, amplia a discussão sobre prioridades e sobre o limite dos gastos públicos com grandes eventos.
*Estagiária Kamily Canola sob supervisão da jornalista Bruna de Pieri