MELLO

O mico-leão-preto, espécie exclusiva do Estado de São Paulo e ameaçada de extinção, será alvo de um censo inédito em fragmentos de Mata Atlântica do centro-oeste paulista. O levantamento, conduzido pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), vai percorrer áreas de municípios da região, como Garça, Gália e Alvinlândia, para identificar quantos grupos do primata ainda sobrevivem fora do Pontal do Paranapanema.

A pesquisa começou neste mês e faz parte de um projeto com duração prevista de cinco anos. Nesta primeira fase, o objetivo é mapear a presença do animal em remanescentes de floresta espalhados por cidades como Borebi, Lençóis Paulista, Botucatu, São Manuel, Pratânia, Iaras, Garça, Alvinlândia e no entorno da Estação Ecológica dos Caetetus, em Gália.

Em vez de procurar os animais diretamente na mata, os pesquisadores utilizam gravadores capazes de registrar as vocalizações dos micos e câmeras com sensores de movimento, que fotografam automaticamente qualquer animal que passe pelo local.

O mico-leão-preto vive apenas no Estado de São Paulo, na região entre os rios Tietê e Paranapanema. A maior população conhecida está protegida no Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio, mas os cientistas acreditam que ainda existam grupos isolados em outros fragmentos de floresta.

Além do monitoramento com equipamentos, a pesquisa também contará com o apoio de moradores da zona rural. Equipes do IPÊ vão visitar propriedades e orientar agricultores e sitiantes sobre como identificar corretamente a espécie, já que ela costuma ser confundida com outros primatas, como o macaco-prego.

Para os pesquisadores, reunir essas informações é fundamental para direcionar ações de conservação e garantir a sobrevivência de um dos primatas mais raros do mundo, considerado um símbolo da fauna paulista.

HUM

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