08 de Agosto de 2020
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Assisense participa de pesquisa da vacina contra o COVID-19 do Instituto Butantan

José Márcio faz parte do grupo de pesquisas coordenado pela doutora Sônia Raboni em estudo da fase III

O assisense José Márcio Camargo Junior, acadêmico do 10º período do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, integra o grupo de pesquisa coordenado pela doutora Sônia Raboni, que realizará o estudo de fase III da vacina contra o COVID-19, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Chinesa Sinovac.

José Márcio conta que a fase III será realizada no Hospital das Clínicas da UFPR e avaliará a segurança e eficácia da vacina contra o COVID-19.
O estudo começa em três de agosto, por enquanto está sendo feita a seleção dos voluntários e atividades de capacitação da equipe. Participam voluntariamente 852 profissionais da saúde do HC-UFPR, por ser o grupo com maior risco de se contaminar com o COVID-19.

José Márcio explica que esse grupo é o que tem mais contato com pessoas que têm a doença e como será a testagem. "Metade dos participantes será da área da saúde porque a exposição com contaminados é mais frequente e todos receberão duas doses da vacina, com um intervalo de 14 dias, e a outra metade receberá o placebo; vai ser um estudo randomizado controlado por placebo e duplo cego”, explica.

divulgação - José Márcio Camargo Junior, acadêmico de Medicina
José Márcio Camargo Junior, acadêmico de Medicina


José Márcio conta que sempre se interessou pela área científica e vendo uma oportunidade de contribuir para a sociedade em um momento tão delicado como este, optou por se inscrever para participar do estudo e foi selecionado junto com outros seis alunos da graduação do 10º período de Medicina.

"Frequentemente vejo relatos de colegas de profissão que estão na linha de frente e, de fato, é muito desesperador. Ainda estamos conhecendo a infecção causada por esse vírus e os efeitos no organismo, mas sabemos que essa pandemia já se estendeu a todos, independente de classe social, posição política, religião, gênero ou cor. E, infelizmente, só poderemos voltar à normalidade com o surgimento de uma vacina. Com isso, esse medicamento surge como uma nova esperança à luta contra o coronavírus para milhões de pessoas e do qual orgulhosamente tenho o prazer de poder contribuir”, ressalta José Márcio.

Ele lembra ainda que a vacina que está sendo testada é composta pelo vírus inativado junto com um adjuvante, substância que funciona como estimulador do sistema imune, ou seja, não é capaz de causar a doença no indivíduo. Esse tipo de tecnologia já conhecida é aplicado em outras vacinas, como Influenza e Hepatite.

"Os resultados de fase I e II foram positivos, e a vacina já foi até elogiada pela Organização Mundial de Saúde. Eu estou bastante confiante com os resultados do estudo e gostaria de lembrar que, independente de posição política, devemos ver isso como algo histórico. Geralmente uma vacina demora no mínimo um período de 10 anos para ser produzida e esta será em tempo recorde. Também é válido citar que um estudo publicado numa das maiores revistas científicas do mundo que demonstrou ser improvável a possibilidade de que esse vírus tenha sido criado em laboratório, quem quiser ler um pouco mais sobre o assunto, basta acessar o link do artigo”, considera.

José Márcio lembra ainda que foi feita uma parceria entre o Instituto Butantan e a Sinovac que irá disponibilizar, se a vacina obtiver resultados positivos, 60 milhões de doses até o fim do ano e a transferência de tecnologia para a produção da vacina no Brasil.

"Acredito que tão importante quanto a profissão médica, a formação científica é fundamental para sempre estarmos dando um passo à frente. Seja pela descoberta de novas doenças, seja pela busca por tratamento de doenças até então incuráveis, seja pela descoberta de uma vacina diante do surgimento ou mutação de um novo vírus. Além disso, também há a questão da ciência ser muito pouco valorizada no Brasil, indo na contramão dos países desenvolvidos. Nos últimos anos foram realizados cortes orçamentários, falta de investimento público e privado e pouco incentivo nas escolas e universidades, fazendo com que nosso país estivesse fadado ao sucateamento científico. Considerando tudo isso, participar de um estudo clínico, que é um dos poucos no mundo que está na fase 3, é realmente muito gratificante pelo fato de não somente ver nosso país vencer todas essas inúmeras dificuldades, mas também de poder despertar o interesse pela pesquisa para as futuras gerações. Além da oportunidade de estar inserido em um grupo de pesquisa com profissionais e colegas altamente qualificados, essa pesquisa irá contribuir para a minha formação pessoal e profissional”, conclui.

Redação AssisCity
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