04 de Junho de 2020
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Assisense que recebeu alta após dias na UTI relata medo e diz que Covid-19 'não é brincadeira'

Emmanuel de Souza Silva teve alta nesta sexta-feira, 15 de maio

O jovem Emmanuel de Souza Silva tem 29 anos e nos últimos dias enfrentou uma grande batalha pela vida. Ele é o primeiro paciente internado pelo SUS na Santa Casa de Assis com diagnóstico de Covid-19 e que teve alta nesta sexta-feira, 15 de maio.

Emmanuel conversou com a equipe do AssisCity e contou detalhes de como foi enfrentar a doença, desde o aparecimento dos sintomas até a internação na UTI.

"No dia 30 de abril, quinta-feira, eu comecei a sentir febre, dores no corpo, mas achei que fosse uma gripe comum. O tempo estava mudando e achei que era uma baixa de imunidade. A semana foi passando e a febre não baixava, comecei a ter ânsia de vômito e nada que eu comia parava no estômago”, relata.

Os sintomas continuaram e veio também a falta de ar.

"No dia 8 de abril, o médico da UPA mediu a minha oxigenação, que estava abaixo de 90, o que levantou um sinal de alerta. Eu só conseguia chegar nesse nível com oxigênio no nariz e o médico disse que ia pedir minha internação, mas não tinha vaga disponível naquele momento. Ele me liberou no dia seguinte e disse para que, caso piorasse, eu chamasse o SAMU e iria diretamente para o atendimento, sem passar por triagem”, diz.

Divulgação Santa Casa de Assis - Emmanuel foi aplaudido pelas equipes da Santa Casa de Assis após receber alta nesta sexta-feira, 15 de maio
Emmanuel foi aplaudido pelas equipes da Santa Casa de Assis após receber alta nesta sexta-feira, 15 de maio


No dia 8 de maio, Emmanuel sentiu o agravamento dos sintomas e ligou para o SAMU, sendo levado diretamente para uma sala de isolamento na UPA. Ele foi acompanhado até conseguir uma vaga na Santa Casa de Assis, onde deu entrada imediata para na UTI no dia 10 de maio.

"Eu comecei a sentir muito medo, porque não sabia que o estava acontecendo. Achei que era uma pneumonia e de repente tinham quatro enfermeiros em volta de mim, médicos e foi me dando um desespero. Não consegui dormir aquela noite. No dia seguinte, uma médica veio conversar comigo para colher amostra para o teste rápido e tomei um calmante para conseguir descansar um pouco”.

Ao acordar, Emmanuel recebeu a notícia de que o teste rápido havia apontado positivo para Covid-19.

"Meu corpo conseguiu passar pelo pico da doença sem que eu precisasse ficar entubado, somente com soro e oxigênio. Fiquei 3 dias na UTI da Santa Casa e depois fui para uma sala onde fiquei em observação por dois dias. Foi quando eu descobri que meu pai estava na sala ao lado, também internado com sintomas, especialmente tosse seca. Fiquei consciente a todo momento, mas nós não pudemos ter contato. Ele permanece internado e eu recebi alta às 12h desta sexta-feira”, conta.

Contágio

Emmanuel diz que não sabe precisar onde e quando contraiu a doença, mas que começou a sentir os sintomas depois de uma ida ao supermercado.

"Eu e meu pai fomos até Ourinhos resolver uma questão de trabalho e no dia seguinte fui ao supermercado. Depois dessa ida é que comecei a passar mal. O trabalho dele não tem contato direto com os clientes e o meu está parado, por isso fui acompanhá-lo. Fora isso, a gente estava de casa para a loja e da loja para casa”, relata.

Quadro de risco e medo da morte

O assisense afirma ter pensado na possibilidade de morrer e que ficou impressionado com a falta de ar que sentiu.

"A dor no peito foi muito forte e no dia que liguei para o SAMU queria rasgar o peito para ver se achava ar. O ar está ali, mas não entra, e você vai respirando com força, mas mesmo assim não entra. Eu tenho 29 anos e um quadro de obesidade, então por esse motivo sou do grupo de risco. Passei um medo muito grande e durante a internação soube que uma senhora que estava internada também não resistiu”.



Emmanuel também disse que as pessoas assistem aos noticiários e não imaginam que aquele número de mortos são pessoas da família de alguém.

"A gente nunca pensa que vai passar por isso, mas depois dessa experiência, com certeza as coisas mudam na gente. Eu estava lá no quartinho quando vi a reportagem e comecei a chorar, porque um daqueles números poderia ser eu. Em um cenário como o nosso, a gente vira estatística. A pessoa contaminada ou se cura ou morre, e com certeza essa não é uma sensação boa. Eu não sou só mais um número, assim como todas essas pessoas que infelizmente não resistiram”, diz.

Próximas etapas

Agora, o tratamento de Emmanuel continua em casa. A orientação é que ele fique em isolamento social por mais 7 dias e tome precauções.

"Terei que tomar três medicamentos e não posso sair. Também preciso separar os talheres, roupas, toalha, roupa de cama, tudo tem que ser exclusivo meu. A Secretaria de Saúde está nos monitorando, porque meu pai também apresentou sintomas, e caso eu tenha alguma piora tenho que entrar em contato para avisar”, explica.

Divulgação - Emmanuel tem 29 anos e se curou da Covid-19
Emmanuel tem 29 anos e se curou da Covid-19


Recado de quem venceu a Covid-19

"O meu principal recado é para as pessoas ficarem em casa e se cuidarem. Cumpram as orientações de proteção, porque isso não é brincadeira. Eu não precisei entubar, mas há pessoas que estão tentando sobreviver através de máquinas, brigando pela vida. Se estiver brigado com alguém, faça as pazes, tenha empatia, porque a vida é um sopro. Eu não podia ligar pra minha mãe, não podia receber visita e eu poderia ter morrido sem falar com ela, com a minha avó... A gente entende que trabalhar é muito importante, claro, mas é muito mais fácil falar quando não é alguém que você conhece ou até mesmo você. Uma vida não tem preço e a vida de ninguém vale mais ou menos que a minha. Usem máscaras, fiquem em casa, porque esse vírus é perigoso”, finaliza.

Redação AssisCity
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