10 de Julho de 2020
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Família de Assis questiona diagnóstico de Covid e consegue velar homem com problema cardíaco

Osmar Rodrigues da Cruz, de 54 anos, faleceu nesta segunda-feira

Nesta segunda-feira, 15 de junho, a família de Osmar Rodrigues da Cruz, de 54 anos, conseguiu o direito de velar seu corpo em Assis.

Segundo a sobrinha dele, Carolina, o tio deu entrada na UPA às 13h53 da tarde deste domingo com suspeita de pneumonia.

"O médico falou que poderia ser pneumonia, mas ele tinha problema no coração e na semana que vem iria para São Paulo tentar fazer o transplante. Ele ficou na UPA até meia noite, quando transferiram ele para o Hospital de Campanha. Por volta das 3h, encaminharam ele para o NAR do Hospital Regional de Assis, onde ele não resistiu e morreu”, explica.

Carolina diz que o tio saiu da UPA como caso suspeito de Covid-19, informação que a família contesta.

Divulgação - Osmar Rodrigues da Cruz tinha 54 anos
Osmar Rodrigues da Cruz tinha 54 anos


"O médico falou para a família que ele morreu de infarto, mas na certidão de óbito colocou insuficiência respiratória. Nós temos os exames que mostram o problema de coração do meu tio e tinham dito para nós que o teste rápido que ele fez no Hospital Regional tinha dado negativo, mas o problema é que agora ninguém mais quer falar. Já chamamos a polícia e aguardamos algum posicionamento para termos o direito de velar meu tio como ele merece, porque ele tem família e uma mãe de mais de 90 anos que está sofrendo muito”, salienta.

Ainda segundo a sobrinha, os familiares foram informados de que foram colhidas amostras para o teste de coronavírus pelo Instituto Adolfo Lutz, mas que o resultado deve demorar cerca de 15 dias.

Às 15h49 desta segunda-feira, Carolina informou à reportagem que a família conseguiu o velório do tio, que será realizado a partir das 7h30 desta terça-feira. O corpo de Osmar será velado por 3h, com caixão lacrado, e o sepultamento ocorre em seguida no Cemitério de Assis.

Poderão estar na sala de velório no máximo 10 pessoas, seguindo as recomendações dos profissionais de saúde, como uso de máscaras, distanciamento e evitar a presença de crianças e idosos.

UPA

De acordo com a assessoria de imprensa da UPA, a unidade não tem mais testes rápidos e só tem realizado teste sorológico, seguindo os critérios da Saúde. A assessoria também informou que o paciente deu entrada com diagnóstico clínico de sintomas suspeitos de Covid-19, como tosse seca e febre.

Devido ao histórico de três infartos prévios, demonstrando problemas de coração, o paciente foi enquadrado como grupo de alto risco e por isso não passou por testagem na UPA, sendo encaminhado para o Hospital de Campanha, onde o quadro evoluiu e ele foi levado até o Núcleo de Atendimento Referenciado (NAR).

Teste rápido

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o teste rápido de anticorpos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) pode ser usado como apoio para a avaliação do estado imunológico de pacientes que apresentem sintomas da Covid-19.

Basicamente, esse tipo de exame aponta se a pessoa teve ou não contato com o vírus. Quando uma pessoa entra em contato com o vírus, o organismo inicia a produção de anticorpos como um mecanismo de defesa. No entanto, é preciso aguardar alguns dias até que a quantidade desses anticorpos seja detectável em um teste (janela imunológica).

Estudos científicos têm demonstrado que, a partir do sétimo dia de sintomas de uma pessoa com Covid-19, é possível detectar anticorpos em testes rápidos, sendo que em grande parte dos produtos registrados na Anvisa os resultados mais robustos foram obtidos a partir do décimo dia. Portanto, é preciso estar atento às instruções de uso dos testes.

Redação AssisCity/ Fotos: Divulgação
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