10 de Maio de 2021
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'Fui infeliz', diz professor de Direito sobre declaração de que vítima de estupro 'colabora' com o crime

Trecho de aula online para alunos de uma universidade particular de Ourinhos (SP) viralizou e causou polêmica nas redes sociais.

O professor do curso de Direito de uma universidade particular de Ourinhos (SP) que causou o polêmica nas redes sociais ao dizer que o comportamento de vítimas de estupro podem "colaborar" com o crime se retratou e pediu desculpas sobre a declaração.

Fábio Alonso, que é delegado aposentado e também coordenador do curso, disse que foi infeliz ao usar o exemplo do crime de estupro.

"Eu gostaria de me retratar e de pedir desculpas às pessoas que tiveram acesso ao vídeo, porque fui infeliz no exemplo que foi dado."

"Eu estava dizendo que o juiz, no momento em que ele vai dosar a pena, tem que analisar as circunstâncias judiciais que estão expressamente previstas no artigo 59 do Código Penal, que dizia: a pessoa pode ter bons antecedentes e pode ter maus antecedentes, pode agir com maior ou com menor culpabilidade", disse em entrevista ao TEM Notícias deste sábado (17).

divulgação - Professor Fábio Alonso, de uma universidade particular de Ourinhos
Professor Fábio Alonso, de uma universidade particular de Ourinhos


No vídeo que viralizou nas redes sociais na última sexta-feira (16), é um trecho de uma aula de uma hora e meia onde o professor diz aos alunos:

"Vamos pensar: o que é mais fácil estuprar? Uma freira de hábito ou aquela menininha com a cinta larga? Fala para mim. Que vítima colabora mais com a prática do crime de estupro? Eu estou falando em tom de brincadeira, mas eu quero que vocês imaginem isso."

Em entrevista ao G1, Fábio disse que, se soubesse que a declaração teria tamanha repercussão, não teria utilizado o exemplo.

Repercussão negativa

Segundo um dos alunos ouvidos pela reportagem do G1, a declaração ocorreu durante uma aula online na terça-feira (13). De acordo com ele, o professor usou a frase para exemplificar um assunto da disciplina em relação ao que se leva em consideração para chegar à pena do condenado.

"Ele usou isso para exemplificar, disse que não incentivava, só que ele ia usar como um exemplo. Teve até um momento em que ele falou que estava usando esse tom de piada, mas para explicar a matéria. Eu acho que o pessoal ficou um pouco assustado com o exemplo", conta o estudante.

Em um outro momento do vídeo, durante a explicação, o professor também disse:
"Quem apanha mais? Não estou dizendo que isso tem feito, estou falando para vocês, vamos ser realistas. Quem apanha mais? A mulher passiva, que fica quietinha, que vê quando o marido chegou de cara cheia, ou aquela que começa 'ai, bebeu de novo, trabalhar que é bom você não quer, né seu vagabundo?' Quem apanha mais? A quietinha ou a bocuda?", declarou no vídeo.

O universitário disse ao G1 que declarações desse tipo são feitas com frequência pelo professor, e que muitos estudantes ficaram indignados com os exemplos dados em aula.

"A gente está revoltado por não ter acontecido nada até o momento. A gente quer, nesse momento, que a instituição tome uma atitude. Mesmo em tom de brincadeira, isso não é brincadeira, é um discurso que mata", disse o aluno.
Nas redes sociais, usuários reprovaram a atitude do professor. "Meu Deus, eu estou com o coração acelerado vendo esse vídeo", comentou uma internauta. "Repúdio e responsabilização", disse outro usuário.
G1
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