21 de Setembro de 2020
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Em Pompéia, distribuição de kits de ivermectina no combate ao coronavírus gera polêmica

O assunto ganhou as redes sociais, com alguns moradores questionando a legalidade e a necessidade da medida, considerando exatamente a não comprovação da eficácia.

Nesta semana, uma medida tomada pela Prefeitura de Pompéia acabou gerando polêmica na cidade, que estaria fazendo a distribuição de kits de medicamentos que não teriam eficácia comprovada no combate ao coronavírus.

O Departamento de Higiene e Saúde (DHS) iniciou na quinta-feira (23) a entrega de kits compostos por sulfato de zinco, vitamina D e Ivermectina aos profissionais que atuam na linha de frente do novo coronavírus pela saúde municipal.

A prefeitura admitiu que "ainda não há comprovação científica dos efeitos da Ivermectina contra a Covid-19. Porém, uma pesquisa da Universidade Monash, na Austrália, concluiu em testes de laboratório que o medicamento pode neutralizar as propriedades infecciosas do vírus em 48 horas. Todos os remédios possuem efeitos colaterais, porém, a Ivermectina apresenta poucos”.

O assunto ganhou as redes sociais, com alguns moradores questionando a legalidade e a necessidade da medida, considerando exatamente a não comprovação da eficácia.

O assunto ganhou maior notoriedade porque a prefeitura sublimou que "os profissionais não são obrigados a utilizar a medicação, porém, terão mais uma opção de prevenção com a assinatura de um termo de compromisso. O kit tem como objetivo fornecer uma segurança ainda maior aos profissionais e evitar a propagação da doença”.

Conforme a proposta, o DHS prepara um protocolo para regular a entrega dos kits de ivermectina para outros segmentos da população, como suspeitos que aguardam resultados, pessoas que apresentem sintomas, dentre outras. "Em caso de aprovação, a entrega será feita somente com a prescrição médica e somente para aqueles que optarem pela medicação com a assinatura do termo de responsabilidade”, afirmou.

Eficácia não comprovada

A Ivermectina é usada para tratamento contra parasitas em seres humanos e animais. Mesmo sem nenhum estudo conclusivo comprovando a eficácia do remédio para tratar a Covid-19, o Sincofarma (Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo) confirma que houve um aumento das prescrições, mas especialistas alertam para os riscos de uso indevido.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que o uso de Ivermectina não é recomendado para o tratamento de pacientes com o novo coronavírus.

Nas últimas semanas, postagens em redes sociais vêm sugerindo que o uso de Ivermectina tem curado pessoas com coronavírus. No entanto, os conteúdos são enganosos, como já publicou o jornal ‘’Estadão’’, no ‘’Estadão Verifica’’.

Em nota publicada em seu site, a Anvisa alerta: "Inicialmente, é preciso deixar claro que não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, bem como não existem estudos que refutem esse uso. Até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19 no Brasil”.

E acrescenta: "Nesse sentido, as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento. Cabe ressaltar que o uso do medicamento para indicações não previstas na bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor”.

Outro lado

A Prefeitura de Pompéia confirmou que "estão sendo disponibilizados 250 kits para profissionais da linha de frente da área da saúde, que atuam nas Unidades de Saúde do município e no Lar do Idoso Antônio Frederico Ozanam. A utilização como profilaxia será opcional”.

De acordo com a administração municipal, o investimento com a aquisição dos kits foi de R$ 6.250. Cada kit foi adquirido por R$ 25,00. "A adoção do kit de Ivermectina, sulfato de zinco e vitamina D como medida complementar, tentativa de profilaxia/prevenção contra o novo coronavírus (principalmente para profissionais da linha de frente da saúde que não podem se proteger por meio do isolamento social) foi avalizada por médicos do município que assessoram as decisões do Comitê Gestor de Enfrentamento à Covid-19 de Pompéia”.

Segundo a prefeitura, "os médicos Silvio Aparecido Pereira e Antônio Mendes Melges Júnior deram pareceres favoráveis à aquisição dos kits, apontando os resultados positivos da pesquisa da Universidade Monash, da Austrália, que concluiu em testes de laboratório que o medicamento pode neutralizar as propriedades infecciosas do vírus em 48 horas, experiências de outras cidades (como Porto Feliz) e ponderaram que, mesmo que a eficácia não seja comprovada em pacientes de Covid-19, o medicamento não fará mal a quem ingeri-lo, já que é um antiparasitário capaz de combater vermes, parasitas e ácaros, sendo considerado bem tolerado e seguro, sem efeitos colaterais graves como os da hidroxicloroquina”.

A administração municipal defendeu ainda que "a necessidade da assinatura do termo de responsabilidade se dá pelo fato de a medicação ser contraindicada para pessoas alérgicas ou que tenham meningite ou algumas enfermidades do Sistema Nervoso Central”.

"A possível distribuição dos kits para outros segmentos da população está sendo estudada e levará em conta a evolução das pesquisas sobre a eficácia do medicamento. Caso seja aprovada a ampliação da distribuição dos kits, um protocolo médico será seguido, respeitando todos os critérios científicos”, finalizou a nota emitida pela prefeitura.



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