16 de Setembro de 2021
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Primeiras imagens da 'teia cósmica' revelam galáxias anãs escondidas

Sistemas foram observados com o telescópio óptico mais avançado do mundo; infinidade de galáxias estavam escondidas nas profundezas do universo.

Os cientistas descobriram uma miríade de galáxias que não haviam sido detectadas anteriormente. Os sistemas recém-descobertos foram observados com o telescópio óptico mais avançado do mundo.

Modelos cosmológicos já previam a existência de filamentos - gás no qual as galáxias são criadas - mas nenhuma imagem do fenômeno havia sido capturada, exceto nas proximidades de quasares, que são objetos astronômicos de alta luminosidade encontrados no centro de algumas galáxias.

Um dos filamentos de hidrogênio (em azul) descobertos pelo MUSE no Hubble Ultra-Deep Field - Foto: Roland Bacon/David Mary/ESO/Nasa
Um dos filamentos de hidrogênio (em azul) descobertos pelo MUSE no Hubble Ultra-Deep Field - Foto: Roland Bacon/David Mary/ESO/Nasa


Usando um espectrógrafo 3D conhecido como instrumento MUSE, instalado no Very Large Telescope, maior conjunto de telescópios ópticos do mundo, localizado no European Southern Observatory, no Chile, os cientistas observaram pela primeira vez filamentos da teia cósmica, revelando uma infinidade de galáxias anãs "ignoradas", escondidas nas profundezas do universo. O apelido do instrumento é a abreviação de Multi Unit Spectroscopic Explorer (MUSE).

A teia cósmica é o bloco de construção do cosmos - consistindo principalmente de matéria escura e misturada com gás - nos quais as galáxias são construídas.

Utilizando o instrumento MUSE, os cientistas estudaram uma região no céu chamada Hubble Ultra-Deep Field por cerca de 140 horas, ao longo de oito meses. A área é o local onde as imagens mais profundas do cosmos já foram obtidas.

"As galáxias no céu e no universo não são distribuídas da mesma forma em todos os lugares", disse o principal autor do estudo, Roland Bacon, astrofísico e pesquisador do Centre de Recherche Astrophysique de Lyon, na França.

"Nos primórdios do universo, as galáxias se formavam por meio do gás. O gás, principalmente o hidrogênio, é o combustível que forma as estrelas e, no final, forma a galáxia", explicou. "As galáxias se formarão nesses longos filamentos de gás".

Segundo Bacon, houve algumas evidências indiretas de que o gás estava presente naquela área. Quando a equipe estudava quasares, às vezes descobriam que a luz estava obscurecida, o que eles acreditavam ser devido à presença de gás.

A análise da equipe feita nas imagens capturadas com o telescópio revelou a luz dos filamentos de hidrogênio.

"A melhor explicação é que a luz que vemos nas imagens não se deve ao fundo ultravioleta -ela vem de bilhões de minúsculas galáxias, formando estrelas, chamadas galáxias anãs", disse Bacon.

Nossa grande galáxia, a Via Láctea, é orbitada por mais de 50 outras galáxias menores, incluindo galáxias anãs.

Enquanto a Via Láctea agora abriga entre 200 bilhões e 400 bilhões de estrelas, as galáxias anãs contêm entre 100 milhões e vários bilhões.

Galáxias anãs se fundiram no início do universo para formar as galáxias maiores, incluindo a Via Láctea.

"Não podemos ver essas galáxias, porque elas são intrinsecamente fracas e muito distantes: estamos as observando 2 bilhões de anos após o Big Bang - uma distância de 11 bilhões de anos-luz. Mas elas são tantas que podemos ver a luz integrada produzida por elas", disse.

O estudo foi publicado no periódico Astronomy & Astrophysics.
CNN Brasil
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